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Mamute encontrado em Michigan fornece sinais dos primeiros seres humanos

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Doutorando de Paleontologia John Fronimos acompanha o trabalho de escavação: crânio e presas do mamute são içadas do poço. Crédito: Daryl Marshke, Michigan PhotographyDoutorando de Paleontologia John Fronimos acompanha o trabalho de escavação: crânio e presas do mamute são içadas do poço. Crédito: Daryl Marshke, Michigan PhotographyANN ARBOR- O antigo mamute descoberto no sítio de um agricultor ao sudoeste de Ann Arbor pode fornecer pistas sobre a vida dos primeiros seres humanos na região.

Uma equipe de paleontólogos da Universidade de Michigan conseguiu recuperar cerca de 20 por cento dos ossos do animal, incluindo o crânio e duas presas, várias vértebras e costelas, pelve e ambas as omoplatas.

Os ossos são de um mamute macho adulto que provavelmente viveu 11.700 a 15.000 anos atrás, embora os restos mortais ainda não foram datados, disse o paleontólogo Daniel Fisher, que liderou a escavação. "O local mantém 'excelentes evidências de atividade humana' associada com os restos de mamute," disse ele.

"Acreditamos que homens estiveram por aqui e podem ter abatido o mamute e o escondido pela carne, para que pudessem voltar mais tarde", disse Fisher, diretor do Museu de Paleontologia da U-M e professor no Departamento de Ciências da Terra e do Meio Ambiente e do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva.

Mamutes e mastodontes - outro tipo de elefante da pré-história - percorriam a América do Norte antes de desaparecer cerca de 11.700 anos atrás. Ao longo dos anos, os restos de cerca de 300 mastodontes e 30 mamutes foram recuperados em Michigan, disse Fisher.

"Recebemos uma ou duas chamadas como esta por ano, mas a maioria deles é mastodontes", disse ele.

A maioria dos achados de mamute em Michigan não são tão completos como estes restos descobertos pela equipa da U-M, disse Fisher.

A hipótese levantada pela equipe é que os homens colocaram os restos de mamute em uma lagoa para armazenamento. Armazenar carne de mamute em lagoas para uso posterior é uma estratégia que Fisher disse ter encontrado em outros locais na região.

Provas que sustentam essa ideia inclui três pedras do tamanho de bolas de basquete, recuperadas junto aos restos de mamute. As pedras podem ter sido utilizadas para ancorar a carcaça em uma lagoa.

Doutorando da U-M Joe El-Denis segura uma das vértebras do mamute recuperada durante a escavação. Crédito: Daryl Marshke, Michigan PhotographyDoutorando da U-M Joe El-Denis segura uma das vértebras do mamute recuperada durante a escavação. Crédito: Daryl Marshke, Michigan PhotographyAo lado de um dos dentes, os pesquisadores também recuperaram uma pequena lasca que pode ter sido usado como uma ferramenta de corte. Além disso, as vértebras do pescoço não foram distribuídas aleatoriamente, como acontece normalmente no caso de morte natural, mas foram dispostas em sua sequência anatômica correta, como se alguém tivesse "picado um pedaço grande do corpo e o colocado na lagoa para armazenamento", disse Fisher.

O primeiro passo para confirmar esta hipótese seria o de lavar os ossos e procurar por marcas de corte que indicam o abate.

A data em que os humanos chegaram nas Américas não é clara e é tema de um grande debate entre os arqueólogos. Dependendo da idade do mamute e da confirmação das ligações com os suspeitos caçadores humanos, as descobertas desta semana podem ajudar a empurrar para trás a data de habitação humana no sudeste de Michigan.

Os primeiros ossos foram descobertos no início da semana passada quando o fazendeiro e proprietário do sítio James Bristle estava instalando um tubo de drenagem em um ponto baixo em um campo de trigo cercado por soja. Uma retroescavadeira cavou uma trincheira e descobriu um osso com cerca 0.27 metros quadrados de comprimento (3 pés), que mais tarde foi identificado como parte de uma pelve de mamute.

"Nós não estávamos certos do que era, mas sabíamos que certamente era muito maior do que um osso de vaca", disse Bristle. Ele entrou em contato com o Museu de Paleontologia da U-M e com Fisher, que escavou cerca de 30 mamutes e mastodontes na América do Norte nos últimos 36 anos.

Bristle disse que a descoberta é emocionante e perturbadora, mas que ele está confiante de que ele tomou a decisão certa.

"Quando meu neto de 5 anos de idade chegou perto e viu a pélvis, ele ficou paralisado, com olhar fixo e queijo caído. Ele estava em êxtase", disse Bristle . "Então acho que essa era a coisa certa a fazer."

Bristle deu um dia ao time da U-M para que recuperassem os restos mortais. Eles trabalharam durante o dia todo, sem interrupção. Depois que os ossos foram recuperados, o poço foi reabastecido.